OCUPANTE ATUAL

5º - Mário Azevedo Alexandre
Posse em 22 de agosto de 2006

OCUPANTES ANTERIORES

1º - Mons. Primo Vieira
Posse em 23 de junho de 1956 –(fundador)
Perdeu a Cadeira em virtude de ter mudado para outro Estado.

2º - Paulo Augusto Bueno Wolf
Sem data de posse, confirmada, porém pelo pedido de transferência para a Cadeira 17 após o falecimento de Monsenhor Primo Vieira , conforme consta no livro: Registro de Eventos, p. 17 verso.

3º - Rômulo Caixeta Leite
Posse em 20 de junho de 1980
(transferiu-se p/outra cidade em 7 de julho de 1988

4º - Raul Ribeiro Florido
Posse em 1977
Faleceu em 8 de dezembro de 2004

CADEIRA 23 - RANULPHO DA HORA PRATA
(Lagarto, SE, 4 de maio de 1896 - Santos, 24 de dezembro de 1942)

Médico, jornalista, romancista e autor de contos literários, nasceu em Lagarto (SE), em 4 de maio de 1896, e faleceu em Santos (SP), em 24 de dezembro 1942.

Iniciou seus estudos em Sergipe e transferiu-se para Bahia, onde concluiu o curso secundário e ingressou na Faculdade de Medicina de Salvador, vindo a se formar em 1920, no Rio de Janeiro, pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Clinicou em Aracaju, onde organizou um gabinete radiológico, no governo de Graccho Cardoso.

Sua paixão pelas letras deu-se a partir de experiências vividas em consultório médico com seus pacientes, cujos impulsos causados por lágrimas e sofrimentos inspiraram seus romances e contos admiráveis.

Ranulpho Hora Prata casou-se com a Prof.ª Maria da Gloria Brandão Prata. O filho Paulo nasceu em Mirassol, SP, em 28 de janeiro de 1924, herdeiro do perfil humanístico do pai, marcante em sua formação e em sua vida. Dois meses depois, mudavam-se para Santos, no litoral paulista, onde fixaram residência. Em 1927, Dr. Ranulpho inscreveu-se no corpo clínico da Santa Casa da Misericórdia de Santos, ficando encarregado pelo Gabinete de Raios X e Eletricidade Médica. Além de pioneiro na incipiente radiologia brasileira, ficou também conhecido pelos seus romances “O triunfo” (1918), “Dentro da vida” (1922), “O lírio na torrente” (1925) e “Navios iluminados” (1937), além dos contos “A longa estrada” (1925) e um estudo sobre Lampião (1934). Retratando a vida na comunidade portuária santista em sua época, “Navios Iluminados” é uma importante contribuição à literatura social, objeto de pesquisas acadêmicas. Seu vocabulário real e expressivo foi responsável por suas grandes obras, que marcaram a impetuosidade de seus trabalhos literários e que lhe rendera boas amizades, a exemplo do laço fraterno que mantinha por Lima Barreto, seu amigo inseparável na literatura.

Em breve descrição, traçada na coletânea de cartas de Lima Barreto, lê-se que Ranulpho Prata “formou entre os melhores amigos do romancista, na última fase da sua vida”. Em setembro de 1918, Lima Barreto registraria como haviam se conhecido. Ranulpho Prata o procurara com um exemplar de seu primeiro romance, O triunfo, lançado naquele mesmo ano.

Lima Barreto se referiu ao episódio na primeira frase da crítica ao livro, publicada em 28 de setembro, no periódico ABC: “O senhor Ranulfo [sic] Prata teve a bondade e a gentileza de me oferecer um exemplar de seu livro de estreia – O Triunfo”. Em 1940, dois anos antes de morrer, na véspera do Natal de 24 de dezembro de 1942, em depoimento a Silveira Peixoto, Ranulpho Prata fala do início daquela amizade:

“Lima Barreto elogiou o livrinho e foi visitar-me no Hospital do Exército, onde eu era interno. A visita desse mulato genial deu-me grande alegria. Sentados num dos bancos do jardim, o Lima, meio tocado, como sempre, mas perfeitamente lúcido, claro, brilhante mesmo, queria saber com segurança se a Angelina do romance era realmente bonita como eu a pintara. Todos os ficcionistas, dizia-me ele, com ironia, têm a mania de fazer belas as raparigas das cidades pequenas. Nos lugarejos por onde eu andara nunca vira nenhuma… Eram todas feias, grosseiras, desalinhadas… E eu garanti que a minha Angelina era, positivamente, encantadora, capaz de virar cabeças sólidas de gente de grandes cidades.”

Ranulpho Prata publicou: O triunfo, 1918; Dentro da vida, 1922; O lírio na torrente, 1925; A longa estrada (contos), 1925. No ano seguinte, lançou Renascença das letras na França. Em 1933, voltou a escrever e publicou Sofrimento, seguido de Lampião (1934) e Navios iluminados (1937).

   
   

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