OCUPANTE ATUAL


OCUPANTES ANTERIORES

1º - Mirta Guarani Rosato
Posse em 13 de maio de 1971

2º - Milton Teixeira
Posse em 15 de outubro de 1975

CADEIRA 39 - BENEDICTO CALIXTO DE JESUS
(Itanhaém, 14 de outubro de 1853 - São Paulo, 31 de maio de 1927)

Benedito Calixto foi um pintor, desenhista, professor e historiador brasileiro.

Ainda adolescente transferiu-se para Brotas, onde pintou seus quadros iniciais. Incentivado pelos amigos, realizou em 1881 sua primeira exposição, na sede do Correio Paulistano, em São Paulo. O insucesso da mostra fê-lo abandonar a capital e transferir-se para São Vicente, onde viveria praticamente o resto da existência e construiria grande parte de sua imensa obra.

Dois anos depois da estréia paulistana, surgiu para Calixto a oportunidade de estudar em Paris, a convite e às expensas de Nicolau José do Santos Vergueiro, Visconde de Vergueiro. O pintor, embora casado desde 1877, parte sozinho para a França, freqüenta o ateliê de Raffaelli, cuja arte não aprecia, e pouco depois transfere-se para a Academia Julian, como aluno de Boulanger, Lefebvre e Tony-Robert Fleury.

De Paris segue até Lisboa, onde por muito pouco tempo recebe aulas de Silva Porto e ainda freqüenta o ateliê de José Malhoa.

Voltando ao Brasil em 1885, Calixto é quase o mesmo de quando embarcou: imune à influências do novos "ismos", impermeável ao fascínio cultural da capital francesa, permanece fiel ao seu estilo peculiar de pintura, agregando apenas técnicas novas que aprendera na viagem.

Quando descansa da pintura, é no passado histórico de São Paulo que se refugia, ou então se volta para as estrelas, em sua paixão de astrônomo amador.

Esse amor à História seria benéfico ao artista, que com escrúpulos de documentarista chegaria a povoar de indígenas o quintal de sua casa, a fim de, com mais fidelidade, pintar A Fundação de São Vicente, e que fincaria no mesmo local gigantesco mastro, para ter uma idéia mais real de como seriam os velames agitados pelo vento nas naus de Martim Afonso de Sousa, quando aportou em 1532 a São Vicente.

O isolamento em que viveu Calixto o impediu de participar com maior freqüência do Salão Nacional de Belas Artes, em cujos catálogos o seu nome surge apenas duas vezes, em 1898 (medalha de ouro de terceira classe) e em 1900. Também por isso não tomou parte, senão raramente, de certames internacionais, como a Exposição de Saint-Louis de 1904, na qual conquistou outra medalha de ouro. Em três participações em exposições coletivas, levou, com méritos, duas medalhas de ouro.

Mesmo morando em São Vicente, nunca deixou de ser prestigiado, como o comprovam os clientes e o avultado número de alunos, a começar por sua própria filha, Pedrina Calixto Henriques, cuja pintura aliás é subsidiária da sua, a ponto de muitas obras de sua autoria terem sido metamorfoseadas inescrupulosamente em originais do pai; tarefa aliás muito simples porque, além do mais, a artista assinava-se apenas P. Calixto, bastando um traço recurvo ao P inicial para que surgisse a assinatura mais prestigiosa.

Calixto foi pintor de marinhas, paisagens, costumes populares, cenas históricas, religiosas e principalmente iconográficas. Se durante a sua vida a tendência era considerá-lo acima de tudo como pintor de história e religioso (gêneros esses nos quais deixou abundante produção, inclusive na Catedral e na Bolsa de Santos, no Palácio Cardinalício do Rio de Janeiro, na Igreja de Santa Cecília em São Paulo e na Matriz de São João Batista em Bocaina), hoje costuma-se conceder bem maior importância às cenas portuárias e litorâneas, nas quais extravasa um caráter pessoal e profundamente sincero na abordagem dos diversos aspectos da natureza.

Os quadros em que fixou o desembarque do café, no primitivo porto de Santos, ao lado do seu aspecto puramente documental, revestem-se de força expressiva, inclusive pela aparência bastante realista das embarcações; por outro lado, convém destacar certas cenas litorâneas ou ribeirinhas, em que a um desenho bem desenvolvido e a um colorido preciso aliam-se uma nítida preocupação atmosférica e um grande respeito ao meio ambiente.

Falecido em 31 de maio de 1927, em São Paulo, tendo sido porém enterrado no Cemitério do Paquetá, em Santos. Três anos antes, recebera do Papa Pio IX a comenda e a cruz de São Silvestre, em recompensa aos serviços prestados à Igreja com sua arte.

 

 
     
     
     
   

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